A despedida de uma flor

Eram duas flores que não estavam mais na flor
Uma delas, até tinha esquecido que era flor!
Não por sua culpa. Era, apenas, a vida.

Desde muito botões foram colocadas lado a lado
Criaram raízes muito fortes e se mantiveram ali,
Juntas, suportaram tempestades, ventos, pragas e monções.

Uma delas é um encanto de rosa.
A outra, pasme só, costumava ser um cravo. Virou roso.
É claro, porque para fazer par com a rosa só mesmo sendo um roso!

O roso e a rosa…

A rosa amou um roso
Que coisa mais engraçada.


E floresceram! Nasceram flores tão lindas, mas tão lindas…
E diversas também.
Floresceram tanto, que logo se viram em meio a um imenso jardim.
Essas flores encontraram outras flores.
Que encontraram outras flores, e outras flores.
Algumas ficavam por um tempo.
Outras iam embora sem se despedir.
Outras simplesmente preferiam florescer em outros jardins.
Outras, eram arrancadas.

O roso ficou ferido
E a rosa despaçada.


Havia também algumas flores que já estavam ali.
Até antes daquelas duas flores que não estavam mais na flor.
Que já não exibiam as mesmas cores, as mesmas texturas, o mesmo aroma…
Mas estavam ali, juntas.

…ou a despedida de uma flor

O roso ficou doente,
A rosa ao seu lado está.
O roso fora arrancado
E a rosa pôs-se a chorar.


Fora arrancado. Do chão. Da rosa.
De todas as flores daquele jardim.
A rosa ainda pulsa. Precisa continuar seguindo.
Continuar seguindo. Redundâncias que fazem sentido.
Ou precisam fazer sentido.

É a vida. Só sabemos que ela segue.
E todos os dias precisamos encontrar novos motivos.
E continuar seguindo.

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