Direita ou esquerda?

Perdi meu amor no seio,
Direito, esquerdo, no meio.

Perdi meu amor num abraço,
Num toque, num choque, num laço.

Perdi meu amor no outro,
Confuso, difuso e afoito.

Perdi meu amor na poesia,
Em rimas, em promessas, em esquinas.

Perdi meu amor no porvir,
No intangível, no crível, no cível.

Perdi meu amor na literatura,
No cinema, na televisão.
Perdi o que estava na palma da minha mão.
Perdi aqui ou ali, não sei se abaixo ou acima da mesa.
Patético ou poético?
Mas e se perdi meu amor, numa deslizada para a esquerda?

Olhos de Lince

olho de lince

Esse é um poema que de cara me tocou bastante. Também pudera, o conheci na marcante interpretação de Maria Bethânia. E é com um trecho em vídeo dele que decidi começar esse Blog. Não gosto de escrever/falar/atuar/performar sobre o que não sinto. No dia em questão, “Olho de Lince” falava muito ao meu coração. Por isso, decidi compartilhar. Segue abaixo o poema na íntegra. Os autores são Waly Salomão e Jards Macalé.

Olhos de Lince

Quem fala que sou esquisito, hermético
É porque não dou sopa, estou sempre elétrico
Nada que se aproxima, nada me é estranho
Fulano, sicrano e beltrano
Seja pedra, seja planta, seja bicho, seja humano
Quando quero saber o que ocorre a minha volta,
Ligo a tomada, abro a janela, escancaro a porta
Experimento tudo, nunca me iludo
Quero crer no que vem por aí, beco escuro
Me iludo, passado, presente, futuro
Reviro na palma da mão o dado
Presente, futuro, passado
Tudo sentir, de todas as maneiras
É a chave de ouro do meu jogo
De minha mais alta razão
Na seqüência de diferentes naipes,
Quem fala de mim, tem paixão.

(Waly Salomão e Jards Macalé)

Agora que você sobreviveu a essa experiência, veja abaixo o poema na íntegra, na expressão definitiva de Bethânia.

Não interessa de onde você veio, apenas seja bem-vinde. Vai ser um prazer compartilhar e trocar com você!